praga_cronicas

Quando a praga me pregou uma partida  Primeiro capítulo  °  Segundo capítulo °  Terceiro capítulo

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Fugaz encontro no metro

Um fim de dia como um outro. Mas hoje estava mais cansada do que ontem. Precisava dum lugar para me sentar no metro. Vou entrar nesta porta, parece-me que há um lugar… Foi inesperadamente dentro do metro, este olhar que penetrava mais do que a proximidade à qual estávamos sentados. Existia uma curiosidade que pairava entre nós. Continuar lendo “Fugaz encontro no metro”

Quando a praga me pregou uma partida (III)

Voltámos a correr para o hotel. E a voar para a estação. Queríamos dois bilhetes para Praga. Mas o comboio já partiu. Então queremos dois bilhetes para Praga, no próximo comboio. Mas o próximo comboio nunca mais aparecia… Sentámos-nos nos bancos de madeira. E tentámos relativizar. Ainda nos estávamos a conhecer… Eu não sei relativizar.

Esperámos tanto tempo que tinha as costas feitas em madeira. Ouvimos um barulho parecido a um comboio. Saltámos do banco e atravessámos a linha. Sim, em Kutná Hora para apanhar o comboio as pessoas plantam-se no meio da linha – literalmente. Juro. Fizemos sinais, mímicas. Risos. Mas nada funcionou. Queríamos saber se o comboio ia para Praga. Visto que na estação não havia muita informação. Esquece. Entramos no comboio e saímos em Praga…Confortáveis, entre quatro pessoas, frente a frente, num corredor minúsculo, apanhámos lugar. Entre indecisão e riso, esperávamos chegar a Praga a tempo de descobrir a cidade. Fomos descobertos uma meia hora depois. Continuar lendo “Quando a praga me pregou uma partida (III)”

De Lisboa a Paris : o que mudou ?

A minha vida em cinco pontos 

1 – não me canso de dizer, mas uma agenda é quase indispensável. Seja electrónica, isto é, no email ou no telemóvel, ou seja como a minha, no bom e velho papel. Toda rascunhada, cheia de números sem nome. De nomes sem número. E de datas, sempre no dia errado. Mas é importante. Lembro-me do primeiro dia que cheguei à associação do voluntariado (quando fiz o voluntariado europeu), a tutora perguntou-me se eu tinha uma agenda. Eu, na minha ingenuidade, levei a pergunta para o sentido tens uma agenda? és uma pessoa muito ocupada?. Não era isso. E ela tratou logo de me encontrar uma agenda novinha em folha. 2013. Um ano que durou, durou… A agenda é um acessório indispensável seja na vida íntima ou profissional. Mas um dia falo melhor sobre isto…  Continuar lendo “De Lisboa a Paris : o que mudou ?”

Quando a praga me pregou uma partida (II)

Agora era preciso explicar que não tinha percebido que o hotel ficava a duas horas de Praga, que queria anular a reservação – feita pela internet – dormir esta noite, partir amanhã e ainda pedir conselhos sobre a estadia na capital. Olha a lata. A cena foi… acalmá-lo, ele nunca se enerva, sobretudo, era o primeiiiiro fim-de-semana. Mas já estava cansado da viagem e não via o fim do dia chegar. Melhor, tínhamos duas garrafas de vinho (francês, claro) na mala e nada para jantar. A coisa prometia… Tive de lhe dizer, que como pessoa adulta e responsável pela sua leitura dos hotéis em Praga, eu ia tomar conta da situação. Chamei o senhor e disse-lhe que queria a chave e anular a reservação. Claro, ele não percebeu nada. Aliás, falava tão bem inglês, que foi chamar o seu superior. Que evidentemente, a esta hora já não estava a trabalhar. Então pôs-me em linha com ele. E, como é claro, ele não percebeu nada. Mas não tardou a aparecer no hotel. E nós dois plantados na recepção, cansados e com fome. Tive de lhe dizer que queríamos ir para Praga e que eu tinha visto mal a distância – a risada era geral. Agora precisava anular, voltava depois. Não disse quando. Estava quase tudo pronto, quando se deram conta que tinha feito a reserva através dum site internet, então a anulação devia passar por eles. Estão a brincar, certo? Já cheguei até aqui. E já estou de partida amanhã. Continuar lendo “Quando a praga me pregou uma partida (II)”

Quando a praga me pregou uma partida

Ou quando me perdi a caminho de Praga…

Isto era para ser o primeiro fim de semana em viagem romanticazinha. Sim, já namoriscávamos há uns meses. Há dois oficialmente. Quando lhe pedi em namoro, não fosse ele mudar de ideias… E pronto, decidido, decidimos. Lá íamos nós para Praga. What else? Para dizer a verdade, já tínhamos planeado a coisa antes de estarmos romanticozinhos, quer dizer que íamos partilhar um momento de descoberta a dois. Algo à medida da nossa cara, já que foi assim que nos conhecemos. Mas isso é uma outra história… Então, tudo pronto e tal. Malas, bilhete, avião. Lá vão eles todos fofos em pleno Maio num frio desgramado e num céu cinzento em Paris, aterram em pleno sol na República Checa. Ah que sim, isso mesmo. Estava sol! Só para nós (óbvio). O acordo era: um orienta o voo, o outro orienta o hotel. Eu devia ter escolhido o voo. Porque é difícil perder um avião de vista… mas não. Escolhi o hotel. Continuar lendo “Quando a praga me pregou uma partida”

Como viver num estúdio

Ou a arte de viver entre 22 m². É uma experiência que hoje não vejo da mesma forma, chegada em França. Após vários, vários anos a partilhar casa, quarto ou apartamento com uma ou sete pessoas, vejo-me remetida à minha pessoa. Como assim, viver sozinha comigo mesma? Eu explico: eu falo imenso. Preciso de falar e encontrei-me sozinha no meu silêncio, quem sabe até falei sozinha. Num apartamento com paredes de papel, podia contabilizar cada ida aos toilettes dos meus vizinhos, no final parecia que vivíamos juntos – mas não. Tive de me fazer à ideia rapidamente e aprender a viver nesse silêncio sombrio, com a neve e o inverno que se juntaram à mudança nesta região agrícola perdida no meio da França.

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Top 3 – Os meus restaurantes preferidos

Uma selecção especial dos meus restaurantes preferidos em Paris. Nos três preferidos não cabe a lista de todos os que merecem uma visita, sobretudo que existe uma diversa gama de preços. Estes são endereços para ocasiões mais especiais, mas também para um fim-de-semana entre amigos, desde o centro da cidade até às zonas menos turísticas. É fácil encontrar bons lugares para comer na capital, o difícil é fazer uma selecção dos três melhores! De qualquer forma estes são os três melhores que escolhi (a lista pode sofrer alterações no futuro… mas eu aviso!)

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Viajar entre mundos


Viajar tornou-se quase uma moda, como escrever, fotografar ou amar cozinhar. De todos tenho algum pouco de vontade, mas cada um em medidas diferentes. Quando se diz que alguém tem aquele bicho viajante que trabalha por dentro, não sei exactamente ao que é que se refere. Até porque é algo que já ouvi, mas não é a viagem que me atraí é o sair e o voltar. Não é o durante, até porque isso causa sempre arrepios na barriga.

Tal como o tempo, viajar faz parte daqueles momentos em que é necessário alguma organização, mesmo que amanhã decida calçar as botas e fazer-me à estrada, nada é possível exactamente se me for embora descalça. Então para qualquer coisa é preciso um mínimo de organização. Ora é algo estranho para quem se encontra no meio de bagunças -como eu.

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Vi(r)agem

Como começou esta viagem? Já tinha falado num post anterior que a ideia inicial era de fazer um serviço de voluntariado europeu durante doze meses. Uma ideia que se concretizou em menos tempo, mas que vale bastante a pena de ser partilhada.

O serviço de voluntariado europeu é um programa financiado pela União Europeia, vários organismos estão envolvidos na implementação deste projecto que já conta vários anos no seu curriculum. Disponível para todos os jovens entre 17 e 30 ans, com um projecto definido entre 2 semanas e dois meses para os projectos de curta duração e de dois meses a 12 meses para os projectos de longa duração. Todos os que moram no território europeu – incluindo os países que não fazem parte da UE, podem propôr uma ideia para um outro país que não seja o de residência/nacionalidade ou candidatar-se a um dos inúmeros projectos disponíveis, apresentados pelas associações ou outras entidades locais/envio. Local e envio é uma linguagem típica do SVE porque todos os participantes têm uma entidade de contacto no país de envio, isto é, o país de origem e uma outra no país de acolhimento, onde se passa a experiência.

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