De Lisboa a Paris : o que mudou ?

A minha vida em cinco pontos 

1 – não me canso de dizer, mas uma agenda é quase indispensável. Seja electrónica, isto é, no email ou no telemóvel, ou seja como a minha, no bom e velho papel. Toda rascunhada, cheia de números sem nome. De nomes sem número. E de datas, sempre no dia errado. Mas é importante. Lembro-me do primeiro dia que cheguei à associação do voluntariado (quando fiz o voluntariado europeu), a tutora perguntou-me se eu tinha uma agenda. Eu, na minha ingenuidade, levei a pergunta para o sentido tens uma agenda? és uma pessoa muito ocupada?. Não era isso. E ela tratou logo de me encontrar uma agenda novinha em folha. 2013. Um ano que durou, durou… A agenda é um acessório indispensável seja na vida íntima ou profissional. Mas um dia falo melhor sobre isto… 

2 – o tempo não é o mesmo em todos os lugares. Sim. As horas podem durar todas 60 minutos. Todos os dias têm 24 horas. Mas o tempo – sobretudo em Paris – não é igual. Aqui é preciso contar o tempo útil, por exemplo uma hora de dança ou uma hora com os amigos e o tempo necessário. A diferença entre o tempo útil e o tempo necessário, é aquele tempo chamado perdido. Para onde vai o tempo perdido? Então… de casa até ao metro. Do metro até à linha seguinte. E depois o caminho até chegar ao destino. Sair de casa com tempo necessário é geralmente 30-40 minutos em actividades dentro da cidade. O que quer dizer que para uma actividade útil, passa-se quase o mesmo tempo, perdido. Sobretudo perdida. Eu perco-me (ainda, e sempre) em Paris. Não é no metro. Que tem letras bem grandes. É nas ruas… Eu tenho um instinto apurado para andar no sentido contrário. E, confio plenamente que estou no caminho certo.

3 – amigos, conhecidos e colegas. Certamente não é uma categorização própria a esta cidade. Mas foi algo que mudou na minha vida. De repente vejo-me com categorias e sub-divisões das pessoas que conheço, com os assuntos que partilhamos e sobre aquilo que dizemos/fazemos juntos. Tinha a impressão que em Lisboa estas três esferas se encontravam em momentos diferentes, tratando-se sempre das mesmas pessoas. Aqui não. Tudo é mais ordenado e bem calculado para que amigos, conhecidos e colegas, não troquem de categoria. Existem excepções, claro. Mas em geral o grupo reúne-se por determinada afinidade e não se extrapola entre outros mundos.

4 – compras, centros comerciais e supermercados. O mercado passou a ser um evento exótico depois que vim morar em Paris. Afastada dos produtos frescos à luz do dia, a luz do supermercado parece-me sempre cansativa. Tudo é tão brilhante que desconfiamos da origem do produto. Então, nos fins-de-semana, o mercado, faça chuva ou faça sol, parece o momento mais «natural» do contacto com a comida. Em todos os sentidos. Na forma como fica ali exposto, até às interacções que são permitidas no domingo, que não teriam espaço para acontecer entre as quatro paredes do supermercado. Entretanto, os centros comerciais foram quase banidos da minha vida. Não é que eu fosse adepta ferrenha dessa actividade. Mas quando vivia em Lisboa ia com frequência. Sobretudo ao cinema. Aqui não preciso de ir a um centro comercial para ver um filme. Tenho vários cinemas à porta (cf. ponto 2) e posso escolher entre o tipo de filme ou o tipo de cadeira mais confortável. E… as compras. Sejam elas quais forem – duplicaram. De preço. Claro.

5 – a eterna falta de ser português. Não sou do tipo nacionalista, não me apresento como portuguesa e também não escondo que sou alentejana. Mas, estando em Portugal, cada um se reconhece entre si. Aqui, dado o tempo, talvez, ou o corte de cabelo, não sou reconhecida como portuguesa. Já fui chamada de várias coisas – até me chamarem (ignorantemente) de polaca. Mas isso é outra coisa. O que se passa é que defendo afincadamente que sou portuguesa, à mesa. Eu sei. A gastronomia, a pastelaria, o vinho, aquilo e tudo… os franceses são os melhores. (Será?) Ainda assim… ninguém me convence. Eu adoro o vinho francês, adoro alguns pratos e gosto muito de doces. Mas quem é que me troca umas batatas cozidas, com salada, peixe grelhado e azeite o tudo a saber àquilo que é? Ou… um rim na pastelaria, com um ucal ou o galão? Sim. Aqui também há leite achocolatado e meias de leite. Mas não é a mesma coisa. E os pratos têm um sabor singular, longe do sabor real. Quando volto a Portugal tenho um êxtase a comer salada. Sim, é ridículo. 

Estes foram os primeiros pensamentos que tive sobre aquilo que me choca ou que ainda não me habituei, depois de viver em Paris. E vocês, sentem falta do quê? Alguma mudança foi mais dura ou difícil durante a vossa adaptação? Ou, melhor, o que é que vocês adoptaram definitivamente do novo país onde vivem? Quero saber tudo… Até porque, brevemente falarei daquilo que ‘adoptei’ de Paris!

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Paris – Place Georges Pompidou
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