Como a raiva cria energia

Acabou de sair « Demolition » um filme de Jean-Marc Vallée. O plano quase ideal para sábado à noite. Sem prever, aventurei-me. Li rapidamente a descrição do filme, sem prestar atenção ao título e ao resumo. Não costumo ver os vídeos de anúncio, para não criar expectativas inesperadas… E lá fomos nós. Não vou contar a história, mas aconselho que passem vê-lo!

Deixei-me levar neste sentimento de destruição entre uma procura de si mesmo, rodeado de todos os outros. Na descoberta duma nova pessoa. Aquele novo eu, que procura saber o que sente. Não podia sentir-me mais próxima pelo número de cartas que trocam, pela forma de liberdade que a escrita lhe(s) procura.

A fuga da realidade como um momento constante e paralelo àquilo que todos os outros ouvem e fazem. É um mundo criado numa rede que existe entre a imaginação e a realidade, aquela linha fina que nos define longe da loucura. Sem nunca sabermos quando estamos a romper com a verdade. Foi também a metáfora da liberdade, escrita, vivida e dita. Como se tudo fosse uma metamorfose, do tempo e da vida. Onde as aparências ficaram suspensas, entre a entrega na busca de si mesmo e essa verdade incessante, que nunca se sabe, de qual lado da linha existe. É uma trama de mentiras, entre o prazer dos seus limites e as barreiras que se (des)constroem. Até onde se pode ir para se ser livre? A perda da vida, a morte e um novo ser. Uma nova nascença. Um novo eu. É uma capacidade infinita de se renovar, de querer, de ir. De chegar sempre mais longe, novamente. Até seguir pelo caminho que permite se encontrar. 

Aqui ficam as minhas impressões a quente, acabada de sair do cinema e ainda perdida entre os limites que nos separam da loucura, da imaginação e da magia. Sim, acredito numa certa magia. Para os que possam já ter visto o filme, como eu, não pensem que sou irónica. É verdade que uma certa semelhança com o personagem principal, encarnado por Jake Gyllenhaal, este actor e produtor, uma revelação em cada filme. Sinto uma mesma curiosidade sobre o que outro lado da realidade. Pergunto-me várias vezes, sem ousar verbalizar, se todos vêem o mundo em plano. Ou se mais alguém o vê em paralelo. O filme foi, portanto, um aconchego para a minha imaginação. Uma espécie de reconforto. Saber que existe pelo menos mais uma pessoa no mundo que continua a desconstruir aquilo que tentam – seja construído na realidade.

Quanto à violência, raiva ou outras (i)legalidades – não, não sou a favor. Mas compreendo perfeitamente até onde pode existir uma força renovadora que nasce quando outra força destrutora, morre. Sim. Ela morre quando executada. Deixa de existir quando exteriorizada. Por isso, a minha identificação com a história limita-se ao título do filme. Sem ir até ao mais profundo da nova existência… E vocês, viram o filme? O que pensaram? Ficaram surpreendidos ou foram interpelados pela história? Quero saber!!

©Ryan McGuire
Imagem Editada ©Ryan McGuire

 

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