Uma paixão às cores

Ainda acredito no amor ? Ou alguma vez acreditei naquilo que deveria ser o amor como eu tinha imaginado ?

É o assunto mais rodado de todo o mundo, fala-se em todas as línguas e interroga-se em todas as culturas. Não sei como é ensinado, nem se alguém chegou a aprendê-lo de facto. Dei-me de caras com ele – desde sempre. Não demorou muito, sempre acreditei que era para sempre. Sim, um amor de sempre. Para sempre. Logo, agora. Não importa.

Ainda não tinha lido a história com a qual queria terminar os meus dias, entre fósforos ardentes, como em «Água para Chocolate», mas sabia já desde então, que seria assim. Do fundo mais profundo que eu tivesse. O problema é que podia durar pouco tempo. Mas quero explicar que não muda o tamanho. Era verdadeiro quando era intenso, era verdadeiro quando era doente, da mesma forma que era verdadeiro quando era incerto. O amor ganhou várias formas, caras, nomes. Teve muitos lugares, mas morou sempre em mim. Quando tentei separar-me dele, acabei por me enredar em paixões que elas nem sempre eram de natureza pura. O meu amor também é impuro, não acredito demais em plenitude. Mas as paixões podem rapidamente tornar-se um vício e logo se tornam montanhas russas cheias de altos e baixos. É preciso não ter vertigens para se deixar embriagar em paixões desse tamanho.

Preferi portanto adoptar um amor para sempre. Que me conforte. Que me aqueça. Um amor que cresce, que alimento. Que me rega e faz crescer flores em mim. Esse jardim secreto de alguns é um parque público que foi semeado em memórias. Onde criei cada sorriso, cada lágrima. Na hora do adeus, sempre mais doloroso que o último… Sem chão, só um novo amor pode reconfortar aquele que ficou vazio. Num mesmo coração cabem amores diferentes, de tamanhos sem igual e mesmo assim, moram todos numa mesma pessoa. Moram em mim. Alguns tento matar, outros já esqueci. Outros nunca devem ter saído de mim.

Quando cresci comecei a tornar-me criança. Quanto mais avançava mais inocente me criava livre às minhas palavras e pronta para pintar em palavras as emoções que se passavam em mim. Por todos os anos que me escondi quando era criança, em amores violentos que se passavam na minha imaginação, cresci para dizer que queria amar. Sem saber que não era amada. Ou simplesmente, ignorando que nem todos estão prontos para um amor. Que a paixão pode ser uma boa pimenta que alegra a rotina dos passantes.

Foi preciso crescer e ficar nua comigo mesma, despida nas minhas palavras para me aperceber que o amor plantado não dava flores. Era necessário criar algo juntos. Sim – um jardim que cresce duma vontade partilhada e não apenas duma história imaginada. Isso não muda os amores, os outros. Aqueles que moram aqui, nem os outros que roubam lugar. O amor pode ser um momento de entrega num sonho comum – que também ele pode ser do tamanho daquela hora. Mas foi feito a dois, ou a três, ou a quatro… foi feito do tamanho do sentimento daqueles que acreditaram. Era esse o amor.

De todos os amores, só quero as cores.

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Imagem Editada ©Ryan McGuire
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