Insegura, luto contra mim

Parece uma luta – não é contra o mundo, nem contra alguém que não eu mesma. Porquê? Ainda me perco dentro da minha cabeça à procura de respostas que não encontro, porquê lutar contra si mesmo, contra a sua força e contra a sua necessidade. Sim – é urgente escrever! É verdade que neste momento dedico-me intensamente ao site de sociologia (www.sociopholia.com) e que não deixa de ser verdade que escrevo entre duas marés. Aquela que me entusiasma de conseguir expôr no papel esta aventura da sociologia e a segunda maré que me confronta à minha fraqueza – não tenho um nível correcto da língua, tenho imensos erros de gramática. O desânimo é completo. Recebo imensas (mais de dez já é muito, não?) mensagens de pessoas que não conheço nem por intermediário de alguém e todas nenhuma sem excepção me felicitaram pela iniciativa. Mas, porque há quase sempre um mas, que eu deveria estar mais atenta a estes erros que perturbam qualquer leitor, mesmo os mais desatentos. Acredito nos incentivos e aceito os elogios, mas logo me afundo entre dúvidas… E deve ser algo assim que se passa com cada página que crio para me exprimir na minha língua materna. Com todas as dores e calos que isso possa causar para alguns.

Quando se tem uma necessidade forte pode-se tentar combatê-la pela luta. Ir correr, ir comer, ir não sei o quê. Eu desapareço dos blogs, fecho as páginas, apago os textos e finjo que consigo aguentar este vício prazeiroso que sinto quando escrevo. Tentei racionalizar esta questão comigo mesma, mas não cheguei a nenhuma conclusão. Preciso urgentemente de escrever, porque perdi demasiados anos a queimar papéis, a deitar no lixo e simplesmente a abandonar entre algum caderno da escola. Agora quando escrevo trata-se de uma terapia de renovação, serve para limpar esta necessidade, criar um novo espaço, uma nova página. Porém expôr estas mesmas palavras num blog – escolha minha, bem sei – contraria-me a ver sem fim o que escrevi. O horror! Ninguém sabe como é horripilante ver o que escrevi ontem, antes de ontem ou num dia qualquer ainda mais anterior. Raramente estou satisfeita com aquilo que leio, mesmo que não faça, sinceramente, nenhum esforço para o reler, melhorar ou criar algo novo a partir dessa mesma frustração. E sinto-me afundada entre a ansiedade e a frustração de não saber gerir a minha própria incapacidade de saber que não estou à altura da minha exigência. Quebra-se o silêncio e peço apenas a mim mesma para acreditar.

Porque é que volto sempre e sem fim? Porque recebo sempre alguma mensagem de um amigo, de uma amiga ou dum passado ou dum desejo futuro com quem partilhei algumas letras que me apraz na consciência este prazer que é a escritura. Desta vez foi um email da F. que sempre me escreve desde a sua partida. E que no entusiasmo de mais letras, na sede desafogada desta partilha e, sem saber que eu tinha apagado a página, esperava por mais capítulos desta história. Eu alimento a minha sede com a sede dos outros. Ainda que nada do que escreva seja mais do que um retrato improvisado das letras apressadas que tenho na ponta dos dedos…

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©Ryan McGuire
Imagem ©Ryan McGuire
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