Chá ou café ?

O dilema de todas as manhãs é decidir com qual aroma despertar as pálpebras. Sobretudo os neurónios gustativos, pois são eles que alimentam o sentido mais imaginativo de cada dia. O café sendo a escolha mais recorrente deixou de ser aquecido na máquina, ou desejado na cafeteira italiana. Agora consome-se em qualquer máquina esperada numa gare ou simplesmente entre duas aulas. Com uma mousse que lhe dê o aspecto necessário e suficiente para me fazer imaginar o quão delicioso e aromático seria. Porque não é.

Estes cafés que saem feitos de restos de pacotes de outros cafés que não são autorizados para a consumação do ser comum. Há também aquele café que dizemos «lavar pés», uma especialidade parisiense, parece-me. Uma grande taça cheia de água sem aroma, mas com um verdadeiro sabor – desagradável. Na verdade nada se parece àquela boa bica, se fosse ainda mais tomada na Bica a olhar os passantes… Ah, que nostalgia de Lisboa cheia de cheiros. Mas na verdade também não é isso que me cativa o mais. Deixou de ser quando me apercebi que me acostumei ao açúcar translúcido que apimenta cada café de máquina. E quando me dei conta a beber o café em Lisboa, era tarde demais. O amargo daqueles que acordam cedo. Depois o chá, admitamos. Se o café seria uma água suja que me servem em grandes taças, o chá vende-se em saquetas e com dois cubos de açúcar. Dois cubos de açúcar? Isso são mais grãos concentrados do que os pacotes de 6/8 gr autorizados em Portugal. A verdadeira viagem através do chá fi-la aqui mesmo. E sendo já apreciadora dum bom chá sem camomila antes de dormir, em Paris descobri os rituais. Numa casa chamada Maison des Trois Thés os meus sentidos apuraram-se face a uma dança ritmada entre uma chinesa dedicada e a água quente e fria que flutuavam entre os vapores, deixando os aromas invadir a sala. Quando voltei de Inglaterra há umas semanas deixei-me encantar por um bom chá aromático, com especiarias e gengibre. À primeira vista nada de extraordinário. Não sendo o facto que as especiarias são bastante aromáticas e nem sempre é fácil de beber sob a forma de chá. Nada que um pouco de leite e uma colher de chá não resolvam! Além desta combinação tradicional, há ainda o maté, uma outra história, para um outro dia…

©Ryan McGuire
©Ryan McGuire
Imagem Editada ©Ryan McGuire
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